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Células-tronco representam uma nova possibilidade para o tratamento da angina refratária.

 

A angina refratária é a doença obstrutiva coronariana em sua apresentação terminal, após se esgotarem todas as possibilidades de tratamento convencional conhecidas atualmente.

Os pacientes apresentam quadro de angina precordial (dor no peito) intratável e recorrente, a despeito da otimização medicamentosa e da realização de diversos procedimentos hemodinâmicos (angioplastias e/ou stents) e cirúrgicos (cirurgia de revascularização miocárdica). O maior impacto dessa doença é justamente na qualidade de vida dos pacientes, que se encontram extremamente limitados para a realização de quaisquer atividades cotidianas e apresentam vários episódios de dor ao repouso.

 

A prevalência da angina refratária compreende de 5% a 15% dos pacientes com doença arterial coronariana. Apesar da severidade e do grau de limitação dos sintomas, a maioria dos pacientes (cerca de 75%) com angina refratária possui função cardíaca normal.

 

Pela recorrência diária dos sintomas, esses pacientes representam um alto custo a qualquer sistema de saúde, por causa de internações (inclusive em UTI) e exames frequentes. O tratamento da angina refratária é muito complexo, envolvendo otimização medicamentosa e tentativas heróicas de revascularização miocárdica (via hemodinâmica e/ou cirúrgica); sem sucesso, na maioria das vezes, na resolubilidade do quadro anginoso. Até o advento da terapia celular, restava aos pacientes aprender a conviver com a dor. Com a comprovação experimental do efeito angiogênico (formação de novos vasos sanguíneos) por meio de células-tronco injetadas no coração, uma nova possibilidade terapêutica para o tratamento da angina refratária emerge.

 

A injeção intramiocárdica (diretamente no músculo cardíaco) de células-tronco de medula óssea promove neoangiogênese cardíaca, com uma melhora da perfusão cardíaca (fluxo sanguíneo) e, consequentemente, dos sintomas anginosos. Diante dessa nova possibilidade terapêutica, iniciamos um protocolo de injeção intramiocárdica de células-tronco de medula óssea em pacientes com angina refratária. Esse protocolo apresenta uma formulação específica de células-tronco, MonoCell™, sendo denominado ReACT® (Refractory Angina Cell Therapy Protocol). Até a presente data, já existem mais de 20 pacientes tratados por esse protocolo específico, com resultados extremamente animadores. A maioria dos pacientes não apresenta mais angina após um ano de segmento clínico, e muitos deles apresentam normalização dos exames que avaliam a perfusão cardíaca (músculo em sofrimento).

O Dr. Nelson Américo Hossne Jr, cirurgião cardiovascular da equipe do Prof. Dr. Enio Buffolo, responsável pelo Protocolo CellPraxis® de Terapia Celular para Angina Classe IV, é o médico encarregado da realização do procedimento de terapia celular e acompanhamento dos pacientes e responde a algumas perguntas de nossos leitores.

Entrevista