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Pesquisa brasileira que comprova eficácia do uso de células-tronco no tratamento de angina refratária foi apresentada ao mundo

 

 

Autor do estudo e diretor-médico da CellPraxis, Dr. Nelson Hossne Jr foi convidado a apresentar resultados da pesquisa no 9º Congresso Internacional de Doença Arterial Coronariana(ICCAD), na Itália

 

O cirurgião cardíaco brasileiro, diretor-médico da CellPraxis, Nelson Hossne Jr, foi convidado pelo 9º Congresso Internacional de Doença Arterial Coronariana(ICCAD) – que aconteceu em Veneza, em outubro de 2011 – a apresentar os resultados da pesquisa que comprova a eficácia da terapia com células-tronco para pacientes de angina refratária.

 

O estudo realizado por uma equipe de cientistas brasileiros liderada pelo Dr. Hossne Jr comprova que o tratamento com células-tronco é capaz de curar a doença que, até hoje, não tinha opção terapêutica. A pesquisa, já publicada no periódico científico "Cell Transplantation", é uma cooperação científica entre a Universidade Federal de São Paulo, a Cryopraxis e a sua subsidiária CellPraxis, com foco em desenvolvimento de produtos para terapia celular.

 

A angina ocorre quando há alguma obstrução nas coronárias e o músculo cardíaco deixa de receber a quantidade necessária de sangue. Isso provoca cansaço extremo, limitações físicas e intensa dor no peito, que pode ser classificada de I a IV. A do tipo "IV" é a mais severa, onde o paciente não consegue fazer nenhum tipo de atividade sem dor intensa e incapacitante. Estes pacientes "tipo IV" são submetidos à cirurgia e a medicamentos de ultima geração. No entanto, há aqueles para os quais nenhuma cirurgia ou medicamento é capaz de aliviar a dor e a incapacidade: são os casos de angina refratária.

 

Se, por um lado, muitos trabalhos mostram que é muito difícil regenerar o músculo cardíaco, por outro, o estudo reforça a ideia de que é possível criar vasos sanguíneos. As células-tronco podem induzir a angiogênese, que é a formação desses vasos, embora ainda não se conheça o mecanismo exato que leva a isso. “Uma das hipóteses é que a presença das células-tronco amplifique a resposta de outras células que estão lá encarregadas dessa função”, diz Dr. Hossne Jr, investigador principal pesquisa. "Os pacientes de angina refratária já passaram por todos os tratamentos e não há mais o que oferecer. Muitos já foram submetidos a várias cirurgias e cateterismos, mas continuam sentindo dores", diz.

 

No procedimento, os médicos retiram células-tronco adultas do próprio paciente, presentes na medula óssea, no osso da bacia, o que elimina o risco de rejeição. As células são isoladas e, em seguida, injetadas diretamente nas áreas afetadas do músculo cardíaco, por meio de um pequeno corte de dez centímetros.

 

Desde 2005, os pesquisadores vêm avaliando um grupo de 20 pacientes com idades entre 53 e 79 anos que sofriam de angina refratária e não tinham mais opções cirúrgicas nem respondiam ao tratamento clínico. Eles receberam a terapia de células-tronco e, em 80% dos casos, houve normalização do fluxo sanguíneo na área afetada. Metade dos pacientes deixou de sentir dor. Os demais apresentaram poucos episódios de sofrimento e, ainda assim, apenas quando realizavam esforços físicos intensos. Cerca de 90% deles retomaram as atividades normais quatro meses após a cirurgia. Os cientistas afirmam que o alívio dos sintomas foi progressivo, sugerindo que não se trata de um efeito transitório. A melhora dos voluntários apareceu, em média, três meses após a cirurgia e continuou progredindo após um ano. Os pacientes foram avaliados clinicamente e por exames de imagem.

 

O médico acredita que, uma vez aprovada pelos órgãos reguladores, o procedimento desenvolvido estará disponível a todos em curto prazo.